Supplica

Projecto sobre os naufrágios que mataram num só dia 105 homens da Póvoa de Varzim e da Afurada e mudaram a forma como o país passou a olhar para os pescadores e levaram eventualmente à criação do Instituto de Socorros a Náufragos.

O naufrágio de 1892 não só cobriu de luto a Póvoa inteira como alterou os hábitos e trajes da comunidade piscatória. A história da Póvoa pode dividir-se num “antes” e num “depois” da grande tragédia.

Este é um projecto que lida com a dor e com a resiliência humana e que é por um lado um retrato de um episódio trágico mas por outro um fragmento da história de um povo que hoje apesar de adormecido ainda consegue erguer-se quando a situação assim o exige.

Esta é também uma homenagem minha ao Manuel Lopes, de quem guardo boas memórias e de quem sinto falta neste momento. Porque, com quem podemos falar sobre estas coisas com a mesma intensidade com que ele falava delas? “Data imperecível, como que gravada a fogo vivo na memória poveira, só esta: 27 de Fevereiro de 1892. Quase sempre referido sem a mencionação do ano, que bem basta o dia e o mês aziago para reacender a angústia de uma tragédia que vestiu de longo e pesado luto a nossa colmeia piscatória. Um doloroso acontecimento que foi tecendo, geração em geração, um profundo sentimento trágico e um consciente e respeitoso temor pelo Mar amado, ainda hoje presente na memória e nas vivências quotidianas dos nossos pescadores. Evocação gerada por múltiplas reminiscências onde o tempo vivido e os testemunhos herdados e transmitidos por tradição assumem um carácter mítico, que a imaginação e a realidade confrontam e transfiguram.”